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A Red Hat publicou em julho um guia sobre o Q-Day. Entenda por que empresas precisam agir antes que o computador quântico exista.
Em julho de 2026, a Red Hat publicou um dos documentos mais comentados por equipes de segurança da informação no ano: um guia intitulado Preparing for Q-day. O tema parece distante, mas a lógica por trás dele é surpreendentemente urgente.
Q-Day é o nome informal dado ao momento hipotético em que um computador quântico se tornará capaz de quebrar os algoritmos de criptografia assimétrica que hoje protegem praticamente tudo: transações bancárias, comunicações governamentais, assinaturas digitais, certificados de sites e registros médicos.
Esse computador ainda não existe. Protótipos atuais, com centenas de qubits, realizam cálculos experimentais com desempenho superior apenas em tarefas muito específicas, e permanecem distantes da escala e da estabilidade necessárias para o feito.
A resposta está em uma estratégia conhecida como colher agora, decifrar depois. Um adversário com paciência pode interceptar e armazenar hoje tráfego criptografado que não consegue ler, guardando os dados até que a capacidade de decifrar exista.
Isso muda completamente o cálculo de risco. Para informação com valor de curto prazo, como uma senha que será trocada em 90 dias, o risco é baixo. Para informação com valor de décadas, como prontuários, segredos industriais, contratos de longo prazo, dados de inteligência ou registros de identidade, o risco já está materializado no momento em que o dado trafega.
A transição para criptografia pós-quântica não é a troca de um parâmetro. Envolve inventariar onde a criptografia atual está embutida, o que em organizações grandes inclui sistemas legados sem documentação, dispositivos embarcados e integrações com terceiros. Envolve depois substituir bibliotecas, renovar certificados e coordenar a mudança com fornecedores e clientes, porque criptografia só funciona quando ambos os lados falam o mesmo protocolo.
Projetos dessa natureza costumam levar anos em instituições de porte. É essa duração, e não a proximidade do Q-Day, que justifica começar agora.
O ano de 2026 marca uma inflexão no setor, com o foco se deslocando da experimentação para integração e escala. A IBM desenvolve o processador Nighthawk, já em testes, e o System Two, plataforma modular refrigerada por criogenia capaz de acomodar processadores interconectados. O caminho vem de sistemas como o Osprey, de 433 qubits, em direção a arquiteturas com contagem substancialmente maior.
Nada disso significa que a quebra da criptografia atual seja iminente. Significa que a trajetória deixou de ser especulativa.
Para organizações brasileiras, três passos são razoáveis e baratos. Fazer o inventário criptográfico, identificando onde e como a criptografia é usada. Classificar dados por horizonte de sensibilidade, separando o que perde valor rapidamente do que precisa permanecer protegido por décadas. E incluir cláusulas de prontidão pós-quântica em contratos novos com fornecedores de tecnologia.
Não é gasto com futurologia. É a diferença entre migrar com planejamento e migrar sob pressão.
Fonte: DFT Informática
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-28