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Relatório aponta 45.363 demissões em tecnologia em 2026, com parte atribuída à IA. Executivos do setor divergem sobre o peso real da automação.
Um levantamento da RationalFX aponta 45.363 empregos em tecnologia cortados no mundo desde janeiro de 2026, com cerca de um quarto dessas demissões ligado diretamente à adoção de inteligência artificial e à reestruturação organizacional decorrente da automação. O número alimenta um debate que está longe de resolvido.
Entre as maiores reduções, a Block anunciou a eliminação de 4.000 vagas. A WiseTech Global cortou 2.000 posições, o eBay eliminou 800 empregos e o Pinterest reduziu sua equipe em 15%. Parte dessas empresas associou publicamente as decisões a sistemas de inteligência artificial.
O padrão de quem é atingido também chama atenção. Trabalhadores mais jovens tendem a enfrentar a maior perturbação, à medida que sistemas de IA absorvem responsabilidades rotineiras de nível inicial. Com o amadurecimento da chamada IA agêntica, empresas passaram a conseguir automatizar uma fatia expressiva das tarefas rotineiras de atendimento e suporte.
Nem todos no setor aceitam a atribuição causal. O presidente-executivo da Adecco, uma das maiores empresas de recursos humanos do mundo, sustenta que apenas 1,4% dos demitidos foram de fato substituídos por inteligência artificial. A distância entre 25% e 1,4% não é ruído estatístico: são explicações incompatíveis do mesmo fenômeno.
Há razões para a divergência. Empresas de tecnologia contrataram em excesso durante o ciclo de dinheiro barato e vêm corrigindo esse excesso desde então. Juros mais altos encareceram capital e obrigaram companhias a demonstrar lucratividade. Nesse contexto, atribuir demissões à IA pode ser conveniente: soa como modernização estratégica, e não como erro de planejamento anterior.
Também é observação corrente que executivos de IA vêm recuando de previsões mais agressivas sobre demissões em massa, moderando o discurso que eles próprios ajudaram a construir.
O Fórum Econômico Mundial estima a perda de 92 milhões de vagas até 2030, com aumento líquido de 78 milhões de empregos no mesmo período. É um saldo positivo que esconde uma dificuldade prática: as vagas perdidas e as criadas raramente estão nas mesmas pessoas, nas mesmas regiões ou nas mesmas competências.
A transição agregada pode ser favorável e a experiência individual, devastadora. Foi assim em transformações tecnológicas anteriores.
Para profissionais, o dado mais acionável é o padrão de exposição: tarefas rotineiras, repetíveis e de baixa ambiguidade são as primeiras a serem automatizadas. Funções que combinam julgamento, contexto de negócio, relacionamento e responsabilidade sobre resultado permanecem menos expostas.
Para empresas, a advertência é oposta. Cortar equipe antes de comprovar que o sistema automatizado sustenta a operação em volume real é um erro que já produziu recontratações caras. Automação madura reduz custo; automação apressada transfere o custo para o cliente e, depois, de volta para a empresa.
Fonte: Forbes Brasil
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-28