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Ataques ucranianos alcançam infraestrutura energética russa a mais de mil quilômetros da fronteira, enquanto Kiev sofre novo ataque balístico.
A madrugada de 14 de julho consolidou o padrão que define a atual fase da guerra entre Rússia e Ucrânia: uma disputa de desgaste travada cada vez menos na linha de frente e cada vez mais sobre a infraestrutura energética do adversário.
Do lado ucraniano, as Forças de Operações Especiais informaram ter atingido o complexo Gazprom Neftekhim Salavat, na República da Bashkíria — um dos maiores parques de refino e petroquímica da Rússia, situado a mais de mil quilômetros da fronteira. Na mesma noite, unidades de sistemas não tripulados afirmaram ter alvejado embarcações russas no Mar de Azov, e a usina termelétrica de Balaklava, em Sevastopol, na Crimeia ocupada, foi atingida, deixando parte da cidade sem energia.
Moscou lançou 135 drones e dez mísseis, a maioria de tipo balístico. Kiev foi alvo direto: incêndios foram registrados nos distritos de Holosiivskyi e Darnytskyi. Em Kherson, o bombardeio das áreas Central e Korabelnyi feriu quatro civis, entre eles uma adolescente de 17 anos.
A concentração ucraniana em refinarias não é simbólica. A Rússia depende das exportações de hidrocarbonetos para financiar o esforço de guerra, e cada complexo fora de operação encurta a margem fiscal de Moscou. Nas últimas semanas, o próprio governo russo já reconheceu escassez de combustível em algumas regiões — sinal de que a campanha ucraniana contra o refino começa a produzir efeitos internos.
Moscou, por sua vez, mira a rede elétrica e as cidades ucranianas, com a lógica inversa: corroer a capacidade da população de sustentar o esforço de guerra. Nenhuma das duas estratégias tende a produzir uma vitória rápida; ambas produzem custos crescentes.
Nesse contexto, a Verkhovna Rada aprovou a prorrogação da lei marcial e da mobilização geral até 31 de outubro. É uma decisão administrativa repetida periodicamente desde 2022, mas seu efeito prático é claro: nem Kiev nem Moscou operam com a hipótese de um cessar-fogo no horizonte próximo. Paralelamente, a fabricante alemã Rheinmetall entregou pela primeira vez à Ucrânia munição de artilharia de 155 mm produzida em sua nova unidade em Unterlüss, na Baixa Saxônia — indicador de que a base industrial europeia começa, ainda que lentamente, a responder à demanda do conflito.
O que se observa é uma guerra que se tornou, sobretudo, um problema de logística e de resistência econômica. Sustenta-se por mais tempo quem conseguir manter a produção de energia, de munição e de consenso interno. É uma equação sem solução militar rápida — e é justamente por isso que as negociações diplomáticas seguem sem tração.
Fonte: Euronews
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-14