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Após três cortes seguidos de 0,25 ponto, o mercado se divide sobre o próximo passo do Copom. Ibovespa no melhor nível desde maio.
A Selic está em 14,25% após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, e o mercado brasileiro chega a esta semana genuinamente dividido sobre o próximo passo do Comitê de Política Monetária. De um lado, quem aposta em um último corte, levando a taxa a 14,00% no início de agosto. De outro, quem entende que o Banco Central já fez o suficiente e deve iniciar uma pausa.
O questionário pré-Copom aponta na direção de uma interrupção do ciclo em agosto e setembro — mas a leitura mais benigna do IPCA reacendeu, entre parte dos analistas, a expectativa de um ajuste adicional.
O Ibovespa fechou a sexta-feira aos 177.866 pontos, uma alta de 2,97%, no melhor nível desde 14 de maio. O salto, contudo, deixa o índice esticado no curto prazo e ainda cerca de 10,5% abaixo da máxima das últimas 52 semanas. O dólar opera perto de R$ 5,1075, mais próximo da ponta forte do real dentro da faixa de 4,8909 a 5,5901 registrada no período.
O real, portanto, está caro — sustentado essencialmente pelo diferencial de juros. É uma posição confortável enquanto o carry trade permanece atrativo e frágil no momento em que ele deixa de ser.
E é aqui que a decisão do Copom deixa de ser um assunto puramente doméstico. O CPI americano desta terça-feira é o fator decisivo da semana. Se a inflação nos Estados Unidos surpreender para cima, cresce a chance de o Federal Reserve manter — ou até elevar — os juros, o que reduz o diferencial que hoje favorece o real e retira parte do espaço de manobra do Banco Central brasileiro.
Cortar a Selic quando o Fed sinaliza aperto é possível, mas custa em taxa de câmbio. E câmbio mais alto realimenta a própria inflação que o corte pressupunha estar controlada.
O quadro atual sugere cautela em vez de convicção. O Brasil chega à semana com bom momento de bolsa e câmbio favorável, mas o mercado está se posicionando — não perseguindo a alta. Rallys construídos sobre expectativa de corte de juros são particularmente sensíveis a dados externos, porque não dependem de lucro entregue, e sim de cenário projetado.
Para quem toma decisões de alocação, o recado é menos sobre acertar o próximo movimento do Copom e mais sobre reconhecer que a variável decisiva, neste momento, está sendo calculada em Washington.
Fonte: The Rio Times
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13