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O ouro fechou a semana em queda, a US$ 4.111, mesmo com a escalada entre EUA e Irã. A explicação está nos juros americanos.
Há um comportamento aparentemente contraintuitivo nos mercados desta semana: enquanto o petróleo disparou com a escalada entre Estados Unidos e Irã, o ouro — o ativo de proteção por excelência — encaminhou-se para uma perda semanal, cotado em torno de US$ 4.111,61 a onça.
A explicação não está na geopolítica, mas na política monetária.
O ouro não paga dividendos nem rende juros. Seu custo de oportunidade é, portanto, exatamente a taxa que o investidor deixa de ganhar ao mantê-lo em vez de aplicar em títulos do Tesouro americano. Quando as expectativas de juros sobem, o custo de carregar ouro sobe junto — e o metal perde atratividade relativa, mesmo em ambiente de risco elevado.
Foi isso que aconteceu. O mesmo choque de energia que impulsionou o Brent alimentou o temor de inflação mais persistente nos Estados Unidos, o que reforçou as apostas de que o Federal Reserve, sob Kevin Warsh, pode voltar a subir juros antes do fim do ano. Essa expectativa pesou mais na balança do que a tradicional busca por porto seguro.
O episódio serve como correção a uma simplificação comum: a de que o ouro sobe automaticamente em qualquer crise. Não é assim. O ouro se comporta bem em crises que derrubam os juros reais — recessões, colapsos de crédito, corridas bancárias. Já em crises inflacionárias que forçam bancos centrais a apertar, o metal pode simplesmente ficar espremido entre duas forças opostas.
É precisamente essa a situação atual: uma tensão entre a demanda de proteção gerada pelo conflito no Irã e as apostas de alta de juros — com estas últimas, até aqui, prevalecendo.
Para quem monta portfólio, o recado é sobre precisão de diagnóstico. Proteger-se de "risco" em abstrato não significa nada. É preciso identificar de que tipo de risco se trata — inflacionário, recessivo, sistêmico ou geopolítico — porque cada um deles favorece uma classe de ativo diferente, e alguns deles são mutuamente contraditórios.
Neste momento, o mercado está dizendo, com o preço, que teme mais a inflação persistente do que a ruptura sistêmica. O dado do CPI desta terça-feira testará essa convicção.
Fonte: The Rio Times — Global Economy Briefing
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13