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Conselho de Direitos Humanos da ONU debate a crise no Cordofão do Norte, onde cerca de 500 mil civis estão sob risco em meio a ataques de SAF e RSF.
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas realizou um debate de urgência sobre o agravamento da situação no estado sudanês do Cordofão do Norte, uma das frentes mais críticas de um conflito que já se arrasta por mais de dois anos entre as Forças Armadas do Sudão (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF).
Segundo a organização, cerca de 500 mil civis correm risco de serem alvo de atrocidades em larga escala. O quadro combina escassez severa de combustível e de água potável com o aumento das mortes entre a população não combatente, à medida que os confrontos se aproximam de áreas densamente habitadas.
O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, pediu o fim imediato dos ataques de ambos os lados contra zonas povoadas e infraestruturas civis essenciais, como redes de abastecimento e unidades de saúde. A destruição desses serviços tende a multiplicar o número de vítimas indiretas, por doenças e fome, muito além das baixas diretas dos combates.
Em paralelo, a ONU saudou a decisão de Cartum de prolongar até 30 de setembro a abertura de um corredor humanitário com o vizinho Chade, considerado vital para levar assistência às regiões de Darfur e do Cordofão. Corredores como esse costumam ser a única via de entrada de alimentos, remédios e água para populações cercadas pelos combates.
O conflito sudanês é hoje uma das maiores emergências humanitárias do planeta, com milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas. A dificuldade de acesso das agências internacionais, somada à fragmentação do território entre forças rivais, torna o socorro lento e perigoso.
Analistas ouvidos por organismos multilaterais destacam que soluções duradouras dependem de pressão diplomática coordenada sobre as partes e de garantias concretas de acesso humanitário. Sem um cessar-fogo verificável, alertam, cada rodada de escalada empurra novas levas de civis para o deslocamento e amplia o risco de colapso dos poucos serviços que ainda funcionam.
Fonte: ONU News
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-10