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Rússia lançou 8 mísseis e 136 drones contra a Ucrânia; ao menos oito mortos em 24 horas. O que o padrão do ataque revela.
Na madrugada de 26 de julho, a Força Aérea da Ucrânia contabilizou oito mísseis e 136 drones lançados contra o território do país em uma única noite. Do total, dois mísseis e 27 aparelhos não tripulados atingiram seus alvos. Ataques russos em diferentes regiões mataram ao menos oito pessoas e feriram dezenas ao longo de 24 horas.
Os números, isoladamente, dizem pouco. O padrão diz muito.
Segundo os dados preliminares divulgados pelas autoridades ucranianas, o lote incluiu um míssil guiado Kh-59/69 disparado a partir do espaço aéreo sobre o Mar Negro e sete mísseis balísticos Iskander-M/S-400 lançados das regiões russas de Briansk, Kursk e Voronezh. Os 136 drones combinaram os já conhecidos Shahed com modelos de menor custo — Gerbera, Italmas e Parody.
A defesa antiaérea ucraniana derrubou ou suprimiu o Kh-59/69, cinco dos sete mísseis balísticos e mais de cem drones nas regiões norte, sul e leste. Em termos percentuais, é uma taxa de interceptação alta. Em termos práticos, 29 objetos chegaram ao destino.
A lógica desse tipo de ataque não é técnica, é econômica. Modelos como o Gerbera e o Parody são drones deliberadamente baratos, muitos deles sem carga explosiva relevante, cuja função é ocupar radares, forçar o disparo de interceptadores caros e abrir corredores para os poucos vetores que realmente carregam poder de destruição.
É a mesma lógica que transformou a defesa aérea moderna em um problema de estoque: não basta ter um sistema capaz de derrubar o alvo, é preciso ter munição suficiente para derrubar tudo o que vem junto com ele — noite após noite. Um interceptador de alto custo abatendo um drone de compensado é uma vitória tática e uma derrota orçamentária.
Três indicadores importam mais do que a manchete diária. O primeiro é a proporção entre drones-isca e vetores letais em cada onda: quanto maior a proporção de iscas, maior a pressão logística sobre quem defende. O segundo é o tempo entre ondas — ataques sucessivos com pouco intervalo impedem a reposição de estoques. O terceiro é a geografia dos pontos de impacto: quando os alvos migram de instalações militares para infraestrutura de energia e transporte, a intenção deixa de ser desgastar as forças armadas e passa a ser desgastar a população civil, especialmente com o inverno no horizonte.
Nenhum dos lados divulga números independentemente auditáveis sobre estoques de interceptadores ou taxas reais de produção de drones, e as contabilidades de baixas divergem sistematicamente entre Kiev e Moscou. O que é verificável — e suficiente para entender a direção do conflito — é a escala e a composição das ondas de ataque, que vêm crescendo em volume enquanto caem em custo unitário.
Para o leitor fora da Europa, o efeito prático aparece em outra conta: cada escalada nessa frente pressiona prêmios de risco em energia, seguros marítimos e cadeias de fertilizantes e grãos — os canais pelos quais uma guerra distante chega ao preço da comida e da energia em casa.
Fonte: Euronews
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-27