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Enquanto líderes europeus se reuniam em Paris em apoio à Ucrânia, um ataque russo com drones e mísseis matou ao menos três pessoas em Odesa.
A guerra na Ucrânia voltou a expor o contraste entre a diplomacia e o front. Enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, recebia em Paris uma cúpula de aliados ocidentais de Kiev, um ataque russo com drones e mísseis atingiu a cidade portuária de Odesa, no sul da Ucrânia, deixando ao menos três mortos, segundo autoridades locais.
O encontro em Paris reuniu integrantes da chamada 'Coalizão dos Dispostos', grupo de países europeus dispostos a ampliar o apoio militar e político à Ucrânia. Cerca de 500 soldados dessa coalizão desfilaram na capital francesa, simbolicamente seguidos por 25 militares ucranianos. O premiê britânico, Keir Starmer, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estavam entre os presentes.
No campo militar, o padrão dos últimos dias sugere uma estratégia deliberada de Moscou: retomar a campanha de ataques contra a infraestrutura portuária ao longo da costa do Mar Negro. Analistas avaliam que o objetivo é degradar a capacidade de exportação da Ucrânia — sobretudo de grãos — e, com isso, reduzir as receitas que sustentam o esforço de guerra de Kiev.
A resposta ucraniana tem sido assimétrica. Forças de Kiev afirmam ter atingido cerca de 20 embarcações russas no Mar Negro em uma única noite, elevando para mais de uma centena o número de alvos navais atingidos no Mar de Azov ao longo do mês. A navegação naquela região — rota de aproximadamente um quarto das exportações russas de grãos — segue restrita por razões de segurança.
Para os europeus, a cúpula funciona como demonstração de que o apoio a Kiev não arrefeceu, apesar do desgaste de mais de quatro anos de conflito e das incertezas quanto à posição de Washington. Ao transformar o desfile militar em gesto público, Macron busca reforçar a mensagem de coesão em um momento em que a Rússia aposta na fadiga do Ocidente.
Resta a dúvida sobre a eficácia dessas iniciativas diante de uma guerra que se arrasta e que, cada vez mais, se decide na infraestrutura civil e econômica tanto quanto nas linhas de frente.
Fonte: Just Security
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-16