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Em relatório ao Congresso, o Federal Reserve afirma que vai entregar estabilidade de preços e nomeia as pressões que mantêm a inflação elevada.
O Federal Reserve entregou ao Congresso norte-americano, na sexta-feira, seu relatório semestral de política monetária — e o documento tem o mérito raro de nomear com clareza aquilo que a autoridade monetária costuma tratar em linguagem cifrada. A inflação, diz o texto, acelerou ainda mais na primavera, e permanece elevada em relação ao objetivo de longo prazo de 2%.
Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto identificaram um trio de forças inflacionárias. A primeira são as tarifas comerciais, cujo impacto tem se transmitido gradualmente aos preços ao consumidor. A segunda é o custo da energia, empurrado para cima pelo conflito no Oriente Médio — em especial pela crise no Estreito de Ormuz, que reduziu o tráfego de navios-tanque. A terceira, e a mais notável pela novidade, é a inteligência artificial.
O documento observa que a expansão acelerada da infraestrutura de IA elevou a demanda por semicondutores e por outros componentes usados na construção de data centers, pressionando preços em toda a cadeia. O Fed também citou o consumo de energia associado a essa expansão como um fator adicional.
Os números sustentam a preocupação: o índice de preços de gastos com consumo pessoal — o indicador preferido do banco central norte-americano — vinha rodando em torno do dobro da meta de 2% nos dados mais recentes disponíveis, referentes a maio.
O efeito sobre as expectativas de juros foi expressivo. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado passou a atribuir 61% de probabilidade a uma alta de juros em setembro — uma inversão relevante em relação ao consenso que prevalecia meses atrás, quando cortes eram o cenário-base.
Um Fed mais duro pressiona o dólar globalmente, encarece o financiamento de países emergentes e tende a reduzir o apetite por ativos de risco. Para o Brasil, o vetor é ambíguo: por um lado, juros americanos mais altos costumam fortalecer o dólar; por outro, o real vinha se valorizando, sustentado por um diferencial de juros ainda amplo e por uma inflação doméstica em desaceleração.
A tese que merece atenção é a mais estrutural: se a construção de infraestrutura de IA de fato se tornou um vetor inflacionário reconhecido pelo banco central mais influente do mundo, a discussão sobre o custo macroeconômico da corrida tecnológica deixa o campo especulativo e passa a ser um item de agenda de política monetária.
Fonte: Yahoo Finance
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-11