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O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% e o mercado passou a precificar ao menos uma alta em 2026, diante de inflação persistente.
O rumo da política monetária nos Estados Unidos ganhou um novo contorno. Em sua reunião de junho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Mais do que a decisão em si, chamou atenção a mudança de expectativa do mercado, que agora precifica ao menos uma elevação de 0,25 ponto percentual ainda em 2026 — e não mais um corte.
A guinada reflete a persistência da inflação. Em maio, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 4,2% em 12 meses, a maior leitura anual em três anos. Diante desse quadro, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, enfatizou o foco de curto prazo na estabilidade de preços, sem a habitual referência ao outro mandato da instituição, o de máximo emprego.
A ênfase de Warsh não é apenas retórica. Ao destacar preços em vez de emprego, o banco central sinaliza que está disposto a tolerar um mercado de trabalho mais frouxo para trazer a inflação de volta à meta de 2%. Em junho, a economia americana criou apenas 57 mil vagas, bem abaixo do esperado, e o desemprego ficou em 4,2% — números que, em outro momento, poderiam justificar cortes de juros.
A postura mais dura do Fed tem efeito global. Juros altos nos EUA fortalecem o dólar, atraem capital para os títulos americanos e pressionam as moedas de países emergentes. Para o Brasil, isso significa um ambiente externo menos favorável a cortes agressivos da Selic, já que a diferença de juros entre os países ajuda a sustentar o fluxo de recursos e a conter a desvalorização do real.
O dilema do Fed resume o momento da economia mundial: a atividade desacelera, mas a inflação não cede o suficiente. Enquanto esse equilíbrio não se resolve, o custo do dinheiro permanece alto, e cada dado de preços passa a ser lido como pista sobre o próximo movimento do banco central mais influente do planeta.
Fonte: Welch & Forbes
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-16