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Iniciativa liderada pela Pasqal e pelo Chips JU quer criar a primeira linha-piloto industrial de chips quânticos de átomos neutros da Europa.
A Europa deu um passo concreto na direção que mais lhe falta em tecnologia: a capacidade de fabricar, e não apenas de pesquisar. O Chips Joint Undertaking, braço de semicondutores da União Europeia, e a empresa francesa Pasqal lançaram o Q-PLANET, uma iniciativa de 50 milhões de euros para construir a primeira linha-piloto industrial de chips quânticos baseados em átomos neutros.
O consórcio reúne 37 parceiros distribuídos por doze Estados-membros e se estende até dezembro de 2031, estruturado sob um acordo-quadro de parceria de seis anos. A fase inicial, de três anos, começou nos dias 8 e 9 de julho. A previsão é de 350 empregos diretos e cerca de mil indiretos.
O objetivo declarado é projetar, fabricar, montar e testar componentes de grau industrial baseados em chips — incluindo lasers integrados —, otimizando processos e projetos para estabelecer uma base replicável e escalável.
O detalhe mais relevante do Q-PLANET não é o valor investido, e sim uma escolha de arquitetura: o projeto publicará kits de design de processo (PDKs) e kits de design de montagem (ADKs) em padrão aberto para hardware quântico de átomos neutros.
A analogia com a indústria clássica de semicondutores é direta e vale a pena ser compreendida. Foi justamente a disponibilidade de PDKs abertos e de fundições que aceitavam projetos de terceiros que permitiu o surgimento do modelo fabless — empresas que projetam chips sem possuir fábricas. Sem esse ecossistema, não existiriam Nvidia, Qualcomm ou ARM como as conhecemos.
Ao aplicar a mesma lógica ao quântico, a Europa tenta criar algo que hoje não existe em lugar nenhum: uma camada de startups de hardware quântico capaz de inovar sem precisar construir uma fábrica própria.
A Europa perdeu a corrida dos semicondutores clássicos e a corrida dos grandes modelos de linguagem. Em ambos os casos, o problema não foi falta de ciência — foi falta de capacidade industrial e de ecossistema empreendedor. O Q-PLANET é uma tentativa deliberada de não repetir o erro em uma tecnologia ainda em fase de definição.
É preciso, porém, calibrar expectativas. O horizonte de 2031 é longo, e a computação quântica de átomos neutros compete com abordagens supercondutoras, iônicas e fotônicas sem que haja consenso sobre qual prevalecerá. Apostar em uma arquitetura específica é uma decisão de risco. Mas a alternativa — não apostar — garante a irrelevância.
Fonte: The Quantum Insider
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-14