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EUA taxam o Brasil em 25% — e a lista de isenções revela o verdadeiro alvo

Washington cita

A partir de 22 de julho, os EUA aplicam 25% sobre milhares de produtos brasileiros via Seção 301. A lista de isenções e o superávit americano expõem o mecanismo por trás da medida.

A partir desta quarta-feira, 22 de julho, os Estados Unidos passam a cobrar uma tarifa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros. O anúncio veio na noite de 16 de julho, assinado pelo Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Mas a informação mais reveladora não está no que foi taxado — e sim no que ficou de fora.

A medida atinge itens como açúcar, vestuário, papel e aço. O governo americano a enquadra na Seção 301 da legislação de comércio, o dispositivo que permite retaliar o que Washington classifica como "práticas comerciais desleais". No caso brasileiro, a justificativa oficial cita o comércio digital e o que os EUA chamam de esforços insuficientes contra o desmatamento ilegal.

Até aqui, é a moldura de uma disputa comercial comum. A camada mais profunda aparece quando se lê a lista de isenções — e ela não é aleatória.

Ficaram de fora da tarifa: café, carne bovina, terras raras, peças de aeronaves e parte dos produtos de petróleo e gás. Ponto a ponto, é o inventário daquilo que os próprios Estados Unidos precisam do Brasil, ou cujo encarecimento seria sentido no bolso do consumidor americano.

Café e carne iriam direto ao supermercado dos EUA. As terras raras alimentam a indústria de tecnologia e defesa americana, hoje dependente de fornecedores fora da China. As peças de aeronaves sustentam a cadeia da aviação. A tarifa, portanto, foi calibrada para pressionar o Brasil poupando exatamente os pontos onde os EUA sentiriam a própria dor.

Há ainda um número que enfraquece a narrativa do "desequilíbrio". Em 2025, os Estados Unidos tiveram um superávit comercial de US$ 14,4 bilhões com o Brasil — quase o dobro dos US$ 7,7 bilhões de 2024. Ou seja: na relação bilateral, quem vende mais é o lado americano. Punir por "comércio desleal" um parceiro contra o qual já se tem saldo positivo é, no mínimo, uma escolha que pede explicação.

É aqui que o mecanismo aparece. Quem ganha, no curto prazo, são os produtores americanos de açúcar, aço, papel e vestuário, protegidos da concorrência brasileira. E ganha a Casa Branca, que passa a deter um novo instrumento de pressão sobre Brasília.

Quem paga são os exportadores brasileiros desses setores, que perdem competitividade no maior mercado consumidor do mundo. Pagam também os importadores e consumidores americanos, que arcam com preços mais altos. E paga, de forma indireta, o brasileiro comum: o real recuou para cerca de 5,11 por dólar em meio à tensão, e câmbio mais alto significa inflação importada aqui dentro.

O governo brasileiro reagiu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e auxiliares classificaram as acusações como "politicamente motivadas", associando-as ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa é a leitura do Planalto — não uma conclusão comprovada. O que os documentos permitem afirmar com segurança é outra coisa: a justificativa estritamente econômica apresentada por Washington não se sustenta apenas nos números do comércio.

Um dado de contexto ajuda a dimensionar o momento. Estas são as primeiras tarifas via Seção 301 aplicadas desde que a Suprema Corte dos EUA derrubou, em fevereiro de 2026, o pacote de tarifas globais do governo Trump. A Seção 301 é, hoje, o caminho legal que restou — e o Brasil virou o primeiro teste dessa nova rota.

Para o leitor, o que muda é concreto. Setores exportadores como açúcar e aço entram em alerta e podem repassar perdas a empregos e investimento. O câmbio pressionado encarece de combustível a eletrônicos. E, no tabuleiro maior, o episódio sinaliza que disputas envolvendo a política interna brasileira podem chegar ao Brasil pela porta da tarifa.

No fim, a história não está no percentual. Está na engenharia da medida: uma tarifa desenhada para doer de um lado só, embrulhada no vocabulário técnico do "comércio justo". Ler a lista de isenções é ler a verdadeira agenda.

Fontes: Al Jazeera (16/07/2026); CNBC (16/07/2026); CNN Business (16/07/2026); The Washington Times (16/07/2026); Rio Times — Global Economy Briefing (20/07/2026).

Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-20

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