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Washington deve anunciar em dias sua decisão sobre novas tarifas às importações brasileiras. Prazo legal termina em 15 de julho.
Os Estados Unidos devem divulgar "muito em breve" sua decisão sobre a imposição de novas tarifas às importações brasileiras. A declaração é de Jamieson Greer, representante de Comércio do governo norte-americano, que reconheceu que as negociações com o Brasil continuam, mas ainda estão distantes de um acordo. O prazo legal para a decisão termina em 15 de julho.
Duas frentes se sobrepõem. Em junho, Donald Trump propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, após uma investigação que envolveu alegações relacionadas a desmatamento e pirataria. Em paralelo, o governo americano anunciou uma tarifa adicional de 12,5% aplicável a produtos de cerca de 60 países — o Brasil entre eles — sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
São instrumentos distintos, com bases legais distintas, mas que produzem o mesmo efeito prático sobre o exportador brasileiro: elevação de custo e perda de competitividade no maior mercado consumidor do mundo.
Prazos legais em disputas comerciais não são detalhes burocráticos — são alavancas de negociação. Ao deixar a decisão para o limite, Washington maximiza a pressão sobre a contraparte, que precisa oferecer concessões antes que a tarifa se torne fato consumado. É uma tática conhecida e eficaz, sobretudo quando a assimetria de dependência comercial favorece quem impõe o prazo.
O Brasil, no entanto, não está sem cartas. Os Estados Unidos mantêm superávit comercial histórico com o país em bens manufaturados, e setores da indústria americana dependem de insumos brasileiros — do aço ao suco de laranja, passando por celulose e produtos agrícolas.
Para quem exporta, o momento exige três movimentos concretos. Primeiro, mapear a exposição real: qual percentual da receita depende do mercado americano e qual a elasticidade do comprador a um aumento de preço. Segundo, revisar contratos para entender quem absorve o custo tarifário — cláusulas de Incoterm e de repasse fazem toda a diferença. Terceiro, avaliar mercados alternativos antes que a decisão saia, e não depois.
Vale registrar o contexto mais amplo: economistas do Goldman Sachs estimaram que as tarifas adicionaram cerca de meio ponto percentual à inflação americana em 2025, e a fatia do custo absorvida pelas próprias empresas — hoje em torno de 80% — deve cair ao longo deste ano. Ou seja, o consumidor americano também paga a conta.
Tarifas raramente têm vencedor limpo. Têm, sobretudo, quem se preparou e quem não se preparou.
Fonte: BP Money
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13