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Washington restabelece bloqueio no Ormuz e afirma que a via seguirá aberta; Irã ataca alvos no Bahrein, na Jordânia e dois navios ligados aos Emirados.
Os Estados Unidos realizaram nesta terça-feira a terceira noite consecutiva de ataques contra alvos no Irã, e o presidente Donald Trump anunciou o restabelecimento de um bloqueio no Estreito de Ormuz — afirmando, ao mesmo tempo, que a via marítima permanecerá aberta à navegação comercial.
A resposta iraniana foi imediata e ampla. Teerã atacou alvos em vários pontos do Golfo, incluindo o Bahrein e a Jordânia, e dois navios-tanque associados aos Emirados Árabes Unidos foram atingidos no estreito. Um marinheiro morreu e oito ficaram feridos.
Há uma tensão evidente na formulação americana: bloquear e manter aberto são objetivos que só coexistem sob uma definição muito específica. Na prática, o que Washington parece pretender é impedir a passagem de embarcações iranianas e de carregamentos sancionados, preservando o fluxo comercial dos demais países. O problema é que o Estreito de Ormuz tem, em seu ponto mais estreito, cerca de 33 quilômetros de largura, e as rotas de navegação passam a poucos quilômetros do território iraniano. Não existe, ali, uma separação limpa entre tráfego militar e civil.
O mercado de energia já precificou a mudança. O Brent voltou a superar os 76 dólares por barril, e o Departamento do Tesouro americano revogou o waiver de 60 dias sobre as sanções ao petróleo iraniano, que valeria até 21 de agosto. Os preços seguem bem abaixo dos picos próximos a 120 dólares registrados no auge do conflito, mas a direção mudou.
Isso tem uma consequência macroeconômica direta. A queda de cerca de 10% no preço da gasolina nos Estados Unidos em junho — resultado justamente da reabertura do estreito sob o cessar-fogo anterior — é o principal fator por trás da expectativa de uma inflação americana mais branda no dado de junho. Se a escalada persistir, esse alívio será temporário, e o Federal Reserve voltará a enfrentar o mesmo dilema de sempre: uma inflação empurrada por um choque de oferta que a política monetária não controla.
Washington sustenta que a ação é retaliação a ataques iranianos contra navios comerciais e que a liberdade de navegação é um bem público internacional. Teerã argumenta que os ataques americanos violam sua soberania e que o bloqueio configura, ele próprio, uma agressão ao comércio marítimo. O direito internacional sobre estreitos usados para navegação internacional — a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar — reconhece o direito de passagem em trânsito, mas o Irã nunca ratificou a convenção, o que alimenta a disputa jurídica.
O que é factualmente incontestável é o custo: civis e marinheiros mortos, rotas comerciais sob risco e um mercado global de energia novamente refém de uma faixa estreita de mar.
Fonte: The Times of Israel
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-14