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Estudo global mostra obesidade desacelerando nos países ricos e acelerando nos pobres

Análise de 197 países aponta o marcador social como determinante principal e critica o uso do termo

Rede internacional analisa a obesidade em 197 países entre 1980 e 2024 e conclui que a renda, não a genética, explica a divergência.

Uma rede internacional de cientistas publicou na revista Nature uma análise da dinâmica da obesidade entre 1980 e 2024 em 197 países. A conclusão contraria a narrativa mais difundida: em vez de uma curva ascendente uniforme no planeta, o que se observa é uma desaceleração do aumento da obesidade nos países mais ricos e uma aceleração nos países mais pobres. O grande determinante identificado é o marcador social.

Os autores também questionam o uso da palavra "epidemia" para descrever o fenômeno — termo que, emprestado da infectologia, sugere contágio e transmissão, quando o mecanismo em jogo é outro.

O que a divergência revela

Se a obesidade fosse essencialmente um problema de escolha individual ou de predisposição genética, não haveria razão para que sua trajetória divergisse tão nitidamente conforme a renda dos países. Genética não muda em quatro décadas; ambiente muda.

A explicação mais consistente com os dados é ambiental e econômica. Nos países ricos, décadas de políticas públicas — rotulagem, tributação de bebidas açucaradas, restrição de publicidade infantil, programas de atividade física — começaram a produzir efeito marginal, ainda que insuficiente. Nos países de renda baixa e média, o processo é inverso: a transição alimentar levou o ultraprocessado barato a substituir a dieta tradicional antes que qualquer política regulatória estivesse em pé.

Por que a palavra importa

A crítica ao termo "epidemia" não é preciosismo linguístico. Chamar de epidemia sugere um agente externo e um combate emergencial. Reconhecer que se trata de um fenômeno estrutural, ligado a preço relativo de alimentos, tempo de deslocamento, desenho urbano e desigualdade, desloca a responsabilidade — do indivíduo para a política pública.

Isso tem consequências práticas. Campanhas centradas exclusivamente em responsabilização individual têm histórico consistente de baixa eficácia e alto custo em estigma. E estigma, na literatura, está associado a piores desfechos de saúde, não a melhores.

O caso brasileiro

O Brasil está justamente na faixa onde a curva acelera. É um país de renda média, com forte penetração de ultraprocessados, desigualdade alimentar marcada e um sistema público de saúde que arca com o custo das consequências — diabetes, doença cardiovascular, e agora, segundo a OMS, também parte do aumento de cânceres em jovens.

Agir cedo é mais barato que tratar depois. Essa frase é banal — e continua sendo a decisão de política pública mais adiada do país. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação profissional.

Fonte: CREMERJ News

Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13

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