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A inflação americana de junho deve vir branda por um motivo que já deixou de existir: a gasolina barata da trégua no Estreito de Ormuz.
O Bureau of Labor Statistics divulga nesta terça-feira, às 8h30 no horário de Nova York, o índice de preços ao consumidor de junho. É o último dado relevante de inflação antes da reunião do Federal Reserve no fim do mês, e o consenso de mercado aponta para um resultado que, à primeira vista, soa como boa notícia: queda de 0,1% na leitura mensal e recuo da taxa anual, dos 4,2% de maio para algo próximo de 3,8% a 3,9%.
O motivo dessa desaceleração é quase inteiramente um: a gasolina. Os preços na bomba nos Estados Unidos caíram cerca de 10% em junho — a quarta maior queda mensal em uma década. E essa queda tem uma causa geopolítica precisa: o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que reabriu o Estreito de Ormuz e desfez o prêmio de risco que havia empurrado o petróleo para perto de 120 dólares o barril.
O problema é que esse cessar-fogo acabou. Desde 8 de julho, com a retomada dos ataques americanos ao Irã e o restabelecimento do bloqueio no estreito, o Brent voltou a subir e superou os 76 dólares. Ou seja: o dado de junho fotografa um mundo que já não existe em julho.
Por isso, a leitura relevante não é o índice cheio, e sim o núcleo — o CPI que exclui alimentos e energia. A expectativa é de que ele permaneça em torno de 2,9% ao ano, com alta mensal próxima de 0,2%. Um núcleo teimoso perto de 3% significa que a inflação subjacente da economia americana não cedeu; apenas foi mascarada por um componente volátil.
É exatamente essa a distinção que o mercado tende a ignorar em um primeiro momento. Uma manchete de "inflação em queda" pode provocar euforia em ações e queda de juros longos, para depois ser corrigida quando os investidores lerem a composição do índice.
Se o dado vier em linha com o esperado, o cenário mais provável é a manutenção dos juros na reunião de julho — hipótese que o mercado precificava com cerca de 65% de probabilidade, com apostas em uma alta de 0,25 ponto em setembro e outra em janeiro de 2027. Se o núcleo surpreender para cima, a discussão sobre uma alta já em julho ganha corpo e o risco de correção nas bolsas aumenta.
O dado chega em um dia especialmente carregado: os cinco maiores bancos americanos divulgam resultados e o presidente do Fed, Kevin Warsh, faz sua primeira apresentação do relatório semestral de política monetária ao Congresso. É raro que tantos catalisadores se concentrem em uma única sessão.
Para quem acompanha o mercado brasileiro, a implicação é indireta mas relevante: quanto mais tempo o Fed permanecer restritivo, menor o espaço para que o Banco Central acelere o ciclo de cortes da Selic sem pressionar o câmbio. O que se decide em Washington nesta terça-feira ecoa no custo do dinheiro no Brasil.
Fonte: Kiplinger
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-14