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Inflação americana de terça-feira e o depoimento do presidente do Fed, Kevin Warsh, concentram as atenções globais nesta semana.
A semana que começa concentra dois eventos capazes de redefinir o humor dos mercados globais: a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, na terça-feira, e o depoimento do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no Congresso — programado para cerca de noventa minutos após o dado, com nova sessão na quarta-feira.
As projeções de mercado apontam para um núcleo do CPI de 0,3% na comparação mensal, acima dos 0,2% anteriores, e uma inflação cheia de 3,9% no acumulado — recuo em relação aos 4,2% registrados em maio. O Fed mantém a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, e o mercado futuro passou a atribuir mais probabilidade a uma alta do que a um corte antes do fim do ano.
Essa inversão de expectativa é o dado mais relevante do momento. Durante boa parte do ciclo, a discussão girava em torno de quando o Fed começaria a afrouxar. Agora, discute-se se ele terá de apertar de novo.
Três forças sustentam a resistência dos preços. A primeira são as tarifas: as empresas americanas vinham absorvendo cerca de 80% do custo tarifário em suas margens, mas essa proporção tende a cair ao longo do ano, transferindo o custo ao consumidor. A segunda é a energia, pressionada pela tensão entre Estados Unidos e Irã, que levou o Brent a subir 5,4% na semana. A terceira é o próprio boom da inteligência artificial, que sustenta um volume extraordinário de investimento em data centers, energia e equipamentos.
Nenhuma dessas três forças é sensível à taxa de juros da mesma forma que a inflação de demanda clássica. É exatamente isso que torna o trabalho do Fed mais difícil.
Warsh assumiu a presidência do Fed sinalizando abandono do chamado forward guidance — a prática de anunciar antecipadamente a trajetória de juros. A consequência prática é que cada aparição pública ganha peso desproporcional, porque o mercado não tem mais um mapa: tem apenas pistas.
Para o investidor brasileiro, o encadeamento é direto. O tom do CPI dita a força global do dólar e, por consequência, o apelo do carry trade que tem sustentado o real perto de R$ 5,10. Um dado inflacionário mais forte tende a fortalecer o dólar e pressionar moedas emergentes; um dado mais fraco alivia.
Somam-se ainda os resultados do segundo trimestre dos grandes bancos americanos, que começam a ser divulgados nesta semana. É muito informação em pouco tempo — e mercados costumam reagir mal a decisões tomadas às pressas.
Fonte: Newsquawk
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13