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Bruxelas anuncia fundo de recuperação inicial para Gaza; no terreno, ataques israelenses seguem matando civis apesar do cessar-fogo.
A Comissão Europeia anunciou na segunda-feira a criação de um fundo de ajuda e reconstrução para Gaza no valor de 1 bilhão de dólares, reunindo doadores europeus, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimento. Bruxelas descreveu a iniciativa como um esforço de "recuperação inicial" — expressão que reconhece, implicitamente, que a reconstrução plena está longe de ser viável.
O anúncio chega em um momento em que o cessar-fogo em vigor desde outubro segue sendo violado de forma recorrente. Na segunda-feira, ao menos três palestinos foram mortos e quinze ficaram feridos em ataques israelenses em diferentes pontos da Faixa. Um dos mortos foi atingido por um ataque de drone contra uma motocicleta no bairro de Tal al-Hawa, na cidade de Gaza, ação em que outras nove pessoas ficaram feridas.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, as violações do cessar-fogo já mataram 1.108 palestinos e feriram 3.578 desde outubro. O total de mortos desde o início da ofensiva, em outubro de 2023, chegou a 73.231, majoritariamente mulheres e crianças, de acordo com a mesma fonte.
O obstáculo prático à reconstrução é territorial. Sob o acordo, Israel deveria manter suas forças atrás de uma linha de demarcação — a chamada Linha Amarela — no leste da Faixa. O Exército israelense afirma que a área sob seu controle corresponde a cerca de 58% de Gaza; avaliações independentes apontam algo próximo de 70%, e palestinos relatam que a linha se desloca com frequência e que pessoas foram mortas por se aproximarem dela.
Reconstruir sob essas condições é um exercício complexo. Um bilhão de dólares é uma soma expressiva em termos humanitários, mas modesta diante das estimativas de danos, que se contam em dezenas de bilhões. Mais importante: obras de infraestrutura exigem previsibilidade — acesso garantido de materiais, segurança para trabalhadores e uma autoridade capaz de contratar e fiscalizar. Nenhuma dessas condições está plenamente estabelecida.
O fundo europeu deve ser entendido menos como um plano de reconstrução e mais como um posicionamento político: a União Europeia sinaliza que pretende ser um ator relevante na fase seguinte, disputando espaço com os Estados Unidos e com os países do Golfo na definição de quem financia — e, portanto, de quem influencia — o dia seguinte em Gaza.
Do lado israelense, o argumento é que a manutenção do controle territorial é condição de segurança enquanto o Hamas não for desarmado. Do lado palestino e de organizações humanitárias, sustenta-se que a ocupação prolongada inviabiliza qualquer recuperação e perpetua a crise. É sobre esse impasse — e não sobre a falta de dinheiro — que a reconstrução de Gaza está travada.
Fonte: Al Jazeera
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-14