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PIB da China avança 4,3% no 2º trimestre, abaixo da meta, com exportações fortes mas demanda interna fraca.
A economia da China cresceu 4,3% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, o ritmo mais fraco desde o fim de 2022. O número desacelerou frente aos 5% registrados no primeiro trimestre e ficou abaixo das expectativas do mercado, de 4,5%, situando-se também aquém da meta oficial de Pequim, fixada na faixa de 4,5% a 5%.
O dado revela uma economia cada vez mais desbalanceada. De um lado, as exportações surpreenderam positivamente, com alta de 27%, impulsionadas pelo comércio de semicondutores e componentes de informática — reflexo do avanço chinês em tecnologia e do boom global ligado à inteligência artificial. De outro, o consumo doméstico e o investimento seguem fracos, limitando os benefícios que a força exportadora poderia trazer.
O setor imobiliário permanece como o principal peso. O investimento em imóveis despencou 18%, e infraestrutura e manufatura também recuaram. A persistência da crise no setor de construção — historicamente um dos motores do crescimento chinês — continua a drenar confiança e a inibir gastos das famílias, preocupadas com o valor de seu patrimônio.
Fatores externos amplificaram o quadro. A guerra envolvendo o Irã e a instabilidade nos mercados de energia adicionaram incerteza ao comércio global, do qual a China é peça central. Ainda assim, o gargalo mais relevante é interno: sem uma recuperação sustentada do consumo, a dependência das exportações torna o crescimento vulnerável a choques do exterior.
Diante do cenário, Pequim avalia opções de estímulo. O desafio é calibrar medidas que reanimem a demanda sem reinflar desequilíbrios, como o endividamento excessivo de governos locais e do setor imobiliário. É uma equação delicada, que exige estimular o presente sem comprometer a estabilidade futura.
Para o resto do mundo, incluindo economias emergentes que negociam intensamente com a China, a desaceleração importa. Um consumidor chinês mais retraído tende a pesar sobre exportadores de commodities e sobre cadeias de suprimento que dependem do apetite do gigante asiático. O trimestre reforça a percepção de que a segunda maior economia do planeta atravessa uma transição difícil, na qual o velho modelo de crescimento perde tração antes que um novo esteja plenamente consolidado.
Fonte: CNN Business
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-15