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Ataques russos deixam mortos em Sumy e feridos em Kiev; Zelensky pressiona parceiros a cumprir o que prometeram na OTAN.
A guerra na Ucrânia voltou a se manifestar da forma mais brutal no fim de semana. Uma bomba planadora russa atingiu a cidade de Sumy, no nordeste do país, matando cinco pessoas — entre elas uma menina de 13 anos, segundo autoridades ucranianas. Na capital, Kiev, o prefeito Vitali Klitschko informou que 12 pessoas ficaram feridas em uma nova onda de ataques combinados de mísseis balísticos e drones.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que as defesas ucranianas derrubaram a maior parte dos alvos, mas reconheceu a falha diante dos mísseis balísticos — justamente a categoria de armamento contra a qual Kiev tem menos capacidade de resposta.
O episódio expõe o ponto que virou o centro do debate militar ucraniano em 2026: a diferença entre o que foi anunciado nas cúpulas e o que efetivamente chegou ao terreno. Zelensky usou as redes sociais para cobrar dos parceiros o cumprimento dos pacotes de apoio acertados na reunião da OTAN realizada na Turquia neste mês.
A cobrança tem lógica operacional. Interceptar drones do tipo Shahed é uma tarefa relativamente barata e distribuída — pode ser feita com artilharia antiaérea, canhões e até equipes móveis. Interceptar mísseis balísticos exige sistemas de alto custo e munição escassa, como os interceptadores das baterias Patriot. É um recurso que não se improvisa, não se fabrica em semanas e depende inteiramente da cadeia industrial ocidental.
Do lado russo, o uso combinado de bombas planadoras contra cidades próximas à fronteira e de mísseis balísticos contra a capital sugere uma estratégia de saturação: forçar a Ucrânia a gastar seus interceptadores mais caros enquanto mantém pressão contínua sobre a retaguarda civil. É uma guerra de atrito aplicada não apenas às linhas de frente, mas ao estoque logístico e à paciência política dos aliados.
Para os europeus, o cálculo é desconfortável. Cada bateria enviada a Kiev é uma bateria a menos na própria defesa territorial, num momento em que os orçamentos de defesa do continente ainda estão em fase de recomposição. A demora entre a promessa e a entrega, portanto, não é apenas burocracia: é reflexo de um limite real de capacidade industrial.
Enquanto essa equação não se resolve, o custo é pago em cidades como Sumy. E a cada semana em que a lacuna persiste, o argumento russo de que o tempo joga a seu favor ganha um pouco mais de sustentação factual.
Fonte: Avante Mundo
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13