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Bombardeio em al-Mawasi mata quatro, incluindo uma criança, enquanto líderes do Hamas discutem no Cairo a fase 2 do plano de paz.
Quatro pessoas, entre elas uma criança de dez anos, morreram no bombardeio de uma barraca que abrigava deslocados na área de al-Mawasi, entre a Cidade de Gaza e Khan Younis. Ao longo do mesmo período, autoridades de saúde do enclave contabilizaram ao menos nove palestinos mortos — incluindo duas crianças — em ataques e disparos israelenses em diferentes pontos do território.
Os episódios acontecem sob um cessar-fogo que está formalmente em vigor desde outubro de 2025. O acordo interrompeu os grandes combates, mas não pôs fim às operações pontuais: desde que entrou em vigor, mais de mil palestinos foram mortos, segundo os números divulgados pelas autoridades locais.
O que se consolidou em Gaza é uma categoria intermediária difícil de nomear. Não é guerra aberta, com ofensivas terrestres de larga escala; tampouco é paz. É um estado de baixa intensidade contínua, no qual a violência letal persiste em volume reduzido, mas constante, e a estrutura civil não se recompõe.
A situação humanitária ilustra esse impasse. A população vive, em larga medida, sem infraestrutura, alojada em barracas — algumas infestadas de ratos, segundo relatos de organizações que atuam no terreno. Os efeitos mais graves recaem sobre crianças e mulheres, os grupos mais expostos a doenças infecciosas, desnutrição e falta de saneamento.
Em paralelo, líderes do Hamas estiveram no Cairo para uma nova rodada de negociações sobre a implementação da segunda fase do plano de paz para Gaza apresentado pelo presidente norte-americano Donald Trump. A fase 2 é, por definição, a mais difícil: envolve questões de governança, desarmamento e reconstrução — temas que a primeira fase, centrada na interrupção dos combates e em trocas, conseguiu adiar.
É aí que reside a tensão de fundo. Cada ataque registrado durante as negociações reduz o capital político de quem, dos dois lados, defende o avanço do acordo. Israel argumenta que age contra ameaças específicas; os mediadores egípcios e cataris apontam que a continuidade das operações mina a credibilidade do processo.
A tensão não se limita a Gaza. Na fronteira com o Líbano, duas pessoas morreram no sul do país em um ataque atribuído a drones israelenses nas proximidades de Nabatieh — lembrete de que o conflito regional tem mais de um teatro ativo e que a estabilização de um deles não implica automaticamente a do outro.
Enquanto a segunda fase não sai do papel, o cessar-fogo segue funcionando como um tratado de contenção — e não como um caminho para o fim do conflito.
Fonte: Brasil 247
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-13