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A ASML superou estimativas, elevou a projeção de receita de 2026 pela segunda vez e planeja expandir capacidade 30% ao ano.
A holandesa ASML, fornecedora essencial da indústria de semicondutores, elevou nesta semana sua projeção de receita para 2026 pela segunda vez no ano, sustentada pela demanda ''extremamente forte'' por chips de inteligência artificial. A empresa é a única no mundo a fabricar as máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) necessárias para produzir os processadores mais avançados.
No segundo trimestre, a receita da ASML superou US$ 10 bilhões, acima das estimativas de analistas. A companhia passou a projetar receita líquida anual de 43 a 45 bilhões de euros para 2026, alta de cerca de 16% no ponto médio em relação à faixa anterior, de 36 a 40 bilhões de euros. Para atender à procura, o presidente-executivo Christophe Fouquet anunciou aumento de capacidade de 30% em cada um dos próximos dois anos.
O movimento da ASML tem peso simbólico. Como suas máquinas são indispensáveis para os chips que alimentam data centers de IA, a empresa funciona como um termômetro do setor. A ampliação de capacidade responde a temores de que a escassez de equipamentos de litografia se torne um gargalo para toda a cadeia — de fabricantes como TSMC a projetistas como Nvidia.
Curiosamente, as ações da companhia recuaram após o anúncio, um lembrete de que expectativas elevadas já estavam parcialmente incorporadas aos preços. Investidores também monitoram riscos geopolíticos, como restrições à exportação de tecnologia para a China, que podem afetar parte relevante do mercado.
Para o Brasil e outros mercados emergentes, o recado é indireto, mas relevante: o ciclo de investimento em IA segue aquecido e concentra capital global em poucos elos da cadeia de tecnologia. Entender quem controla esses gargalos ajuda a interpretar tanto a dinâmica das bolsas quanto a corrida por soberania tecnológica entre grandes potências. A sustentabilidade desse ritmo de gastos, porém, ainda é objeto de debate entre analistas.
Fonte: CNBC
Redação Rede Global de Comunicação — 2026-07-17